quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Desapego.

Eu descobri esses dias, no meio de algum sôfrego devaneio enquanto montava a árvore de natal - apesar do clima natalino não estar me dominando no momento - que não sou uma boa pessoa e tenho uma péssima mania. Assim que coloquei a estrela prateada no topo da árvore, sentei-me no chão e passei a observá-la, sentindo todas suas cores sendo absorvidas pelos meus olhos de calendoscópio, enquanto o brilho das luzes que piscavam sem parar me faziam sentir uma pontada de felicidade que só o natal conseguia. Mergulhei novamente em pensamentos. Não sou uma boa pessoa, repeti para mim mesma. Quem sabe assim, repetindo toda hora, de um jeito meio tresloucado, eu me convencia do contrário? E tudo isso se devia ao fato de eu ter a mania de substituir pessoas. São como produtos que tem um tempo de validade. Elas são perfeitamente estáveis e alegres para mim, mas depois de um certo tempo, acontece algo estranho. O doce enjoa, empurro o prato, não quero mais. E perdem a validade... E com isso, eu sinto um enorme vazio dentro de mim. Algo como a imensidão de um céu noturno, só que sem as estrelas. E com isso, eu as substituo por outras pessoas que irão ocupar esse vazio. Preencher o espaço, tampar o buraco que fica dentro de mim. Não queria que fosse assim. Sei o valor que cada um tem, mas simplesmente não posso evitar. Elas se estragam com o tempo. E eu não me sinto triste, nem feliz, nem mais nada. É oco, vazio. Só. E em uma última tentativa - embora inútil - escrevo uma carta para o Noel, deixando-a ao pé da árvore, para ser vista assim que ele adentrar meu lar. Quem sabe ele lendo, e entendendo, poupe-me desse nada que é viver a esperar quando será o próximo momento - e qual será a pessoa - que eu irei me desapegar.

2 comentários:

  1. Adorei o texto!
    Tô seguindo (;
    Ah e tem um selo pra você lá no meu blog
    http://coisasqdaonatelha.blogspot.com

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  2. Fazia um tempo que eu não voltava aqui, tenho que dizer você realmente escreve bem. Seus textos são daqueles que você fica vidrada, que nem piscar enquanto não chega roa o final você quer.
    E é engraçado como você acabou me descrevendo também, é dessa forma que eu me sinto. Eu enjoo facil de tudo, e quase sempre alguém acaba se machucando por eu agir dessa forma, mais eu não posso evitar. Vamos ver se Noel consegue resolver esse problema não é?

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